Opinião: Castro sempre foi comunista?
2024
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Opinião: Castro sempre foi comunista?

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A tragédia não é apenas que o comunismo se enraizou em Cuba, mas que os chamados “imperialistas” o financiaram.


Em suma, Fidel Castro era um homem com uma personalidade sombria e manipuladora e uma sede insaciável de poder. Ele jurava lealdade a qualquer ideologia que pudesse estender seu domínio sobre a autoridade — não por convicção, mas por conveniência.

Ao contrário da narrativa higienizada que retrata os mais de cinquenta anos de Cuba “livre” como um satélite obediente dos Estados Unidos, a ilha foi, desde o início, um foco de antiamericanismo venenoso disfarçado de “anti-imperialismo”. Esse sentimento era alimentado pela falsa crença de que o Exército dos EUA havia frustrado a independência de Cuba da Espanha. Sob essa luz, o ódio virulento de Castro pelos Estados Unidos não foi um acidente — foi inevitável.

Muitos insistem que é possível ser antiamericano sem ser comunista. Eu afirmo que isso é um mito. Na prática, o antiamericanismo arrasta — mais cedo ou mais tarde — para a órbita do socialismo fabiano e, em última análise, do comunismo. Qualquer que seja o caminho ideológico que Castro alegasse ter tomado, ele foi preparado, encorajado e protegido desde os primeiros dias de sua carreira política por membros oficiais e clandestinos do PSP (Partido Socialista Popular), o Partido Comunista Cubano.

Adobe Stock/Canva/Unsplash

O PSP: A Mão Longa de Moscou em Cuba

O PSP não era um bando de sonhadores desorganizados; era o braço cubano da política externa soviética muito antes de Castro ganhar notoriedade.

• Década de 1930 – Entrada Soviética: Fundado em 1925 e rapidamente absorvido pela Internacional Comunista de Moscou, o PSP era administrado com rigorosa disciplina stalinista por líderes como Blas Roca e Carlos Baliño, habilmente treinados por um homem insignificante da Polônia chamado Fabio Grobart.

• Controle Sindical: Em 1935, quadros do PSP haviam se infiltrado nos sindicatos cubanos, especialmente nos setores açucareiro e portuário, usando greves como ferramentas da estratégia soviética.

• Legitimidade Política: Em 1940, o PSP obteve status legal ao se juntar à coalizão eleitoral de Batista — ironicamente, trabalhando com o homem que Castro mais tarde derrubaria.

• Alinhamento em Tempo de Guerra: Após a invasão da URSS pela Alemanha em 1941, a propaganda do PSP se alinhou plenamente às necessidades de Moscou em tempos de guerra.

• Resistência pós-guerra: De 1945 a 1952, o PSP passou parcialmente à clandestinidade, mas manteve o controle sobre sindicatos, grupos estudantis e meios de comunicação.

• Aproximação com Castro: Em 1956, a inteligência do PSP identificou Castro como o veículo mais viável para o estabelecimento de um Estado alinhado aos soviéticos em Cuba. Em 1958, eles o apoiavam integralmente, preparando-se para uma transição pós-Batista.

A Preparação Comunista de Castro Antes de 1959

Longe de ser um nacionalista que “virou comunista” sob pressão, os laços de Castro com redes marxistas começaram em sua juventude:

• 1947 – Caso Cayo Confites: Participou de uma expedição armada contra o ditador dominicano Rafael Trujillo, organizada com grupos comunistas caribenhos.

• 1948 – Revoltas em Bogotá: Presente durante o levante do Bogotazo, associando-se a comunistas colombianos.

• 1949–1952 – Ativismo Estudantil: Construiu laços com agentes do PSP na Universidade de Havana, participando de agitações antiamericanas alinhadas à retórica comunista.

• 1953 – Ataque de Moncada: Embora não fosse abertamente marxista em seu manifesto, o ataque incluiu simpatizantes do PSP e seguiu táticas de desestabilização.

• 1955 – Aliança com o PSP: Após sair da prisão, estabeleceu laços mais fortes com líderes como Blas Roca e Carlos Rafael Rodríguez, garantindo financiamento e canais de propaganda.

• 1956 – Exílio Mexicano: Treinou ao lado de comunistas no México, trazendo Che Guevara — um marxista convicto — para seu círculo íntimo antes de retornar a Cuba.

• 1958 – Propaganda Coordenada: O PSP deu total apoio à guerrilha de Castro, alinhando sua imprensa e redes com as expectativas soviéticas.

O Mito do “Nacionalista Encurralado”

A alegação de que Castro foi apenas um nacionalista “empurrado para o comunismo” por gananciosas corporações americanas serve a dois propósitos:

1. Desviar a atenção da verdade — que a revolução de Castro foi o ápice de décadas de preparação soviética em Cuba.

2. Cultivar a culpa entre acadêmicos e formuladores de políticas ocidentais, minando a capacidade dos Estados Unidos de enfrentar a expansão comunista.

A recusa — ainda hoje — de muitos acadêmicos em reconhecer a Revolução Cubana como um golpe soviético ressalta o quão profundamente as táticas fabianas se infiltraram no pensamento ocidental. A contaminação persiste: mesmo agora, o espectro de eleger um prefeito comunista em Nova York segue o mesmo roteiro que conduziu Cuba à ditadura — o capitalismo é egoísta, deve ser desmantelado e substituído por um sistema “melhor”.

A Ironia Orwelliana

A tragédia não é apenas que o comunismo se enraizou em Cuba, mas que os chamados “imperialistas” o financiaram. Assim como na Revolução dos Bichos de Orwell, os capitalistas entregaram aos seus inimigos a corda para enforcá-los — e na saga de Castro, o nó foi dado muito antes de 1959.

As opiniões expressas neste artigo são do autor e não refletem necessariamente as opiniões do Miami Strategic Intelligence Institute (MSI²).