Fidel Castro e o crime organizado
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Fidel Castro e o crime organizado

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Dizem que Ernesto “Che” Guevara e Fidel Castro concordaram, na primavera de 1961, que a melhor maneira de destruir os Estados Unidos era tornando sua juventude dependente de drogas.


Não se podem abordar as ações criminosas ocorridas em Cuba nestes últimos 66 anos, muitas delas com graves repercussões em países estrangeiros, sem atribuir a exclusiva responsabilidade a Fidel Castro.
 

Se não foi o primeiro, não há dúvidas de que o caudilho cubano se encontra na vanguarda dos delinquentes que vincularam o crime à ação política.
 

Fidel Castro nunca foi um idealista, um homem com pensamento social definido, apenas um sujeito que ambicionava o poder de forma absoluta, sem espaço para a dissidência, tal como ocorre nos grupos fora da lei.
 

Castro, muito antes de tomar o poder, havia estado vinculado a grupos delinquentes na Universidade de Havana e havia participado de mais de um assassinato. Suas inclinações estavam muito definidas, razão pela qual assumiu a rota da violência para alcançar seus propósitos mais nefastos.
 

Segundo pessoas que o conheceram e conviveram com ele, seu intelecto apenas se concentrava no controle e na manipulação dos que o rodeavam, enquanto procurava gerar acontecimentos que o favorecessem.
 

Afirmam, além disso, que sempre padeceu de um agudo messianismo e que se considerava escolhido para realizar missões transcendentes e únicas.

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Apontam antigos companheiros que ele ansiava pelo poder a qualquer custo e que sua participação nos pequenos, porém poderosos grupos mafiosos da Universidade de Havana, era o meio que lhe permitia escalar posições e adquirir prestígio em um ambiente caracterizado pela violência e pela indiferença da grande massa estudantil, que apenas queria concluir seus estudos.
 

Ao longo da história encontramos numerosos políticos que, em suas ações públicas, foram mais letais que os criminosos em série mais prolíficos, mas Fidel Castro, ao contrário desses, foi um criminoso antes de ser político.
 

Quando Castro assume o controle do governo cubano em 1º de janeiro de 1959, é a primeira vez que o país é governado por um criminoso transformado em político. Havíamos sofrido mandatários que eram políticos com apetites criminosos, mas nunca um criminoso que manejava a política como ferramenta para governar o país.
 

A quebra de todas as instituições republicanas — particularmente Justiça, Segurança Pública e Forças Armadas — e a designação à frente dessas dependências de funcionários incondicionais que acatavam os mandatos do “chefe”, não as legislações previamente estabelecidas, conduzem a considerar esses sujeitos como parte do núcleo fundacional do aparato delitivo que, associado a organizações do crime internacional, tem dirigido os destinos de Cuba e de importantes setores do hemisfério nas últimas décadas.
 

Castro recorreu à violência organizada para tomar o poder em Cuba e desenvolveu essa exitosa estratégia em todo o hemisfério americano durante décadas, desde o mesmo ano da vitória insurrecional.
 

A subversão castrista, envolta em propostas ideológicas para promover mudanças políticas estruturais, foi outro disfarce do crime organizado que Fidel impulsionava. Os subversores, mais do que confrontos militares, praticaram o sequestro em busca de pagamentos de resgate, terminando envolvidos no narcotráfico internacional em busca de riqueza e poder.
 

A Cuba dos irmãos Castro apresenta um prontuário criminal que abarca atos terroristas, espionagem, associação com sequestradores e narcotráfico, para mencionar apenas os mais relevantes.
 

O totalitarismo castrista tem espionado todos e tudo, sem exceção. É certo que os Estados Unidos têm sido seu principal objetivo, mas, através de seus serviços de inteligência — incluindo o extinto Departamento da América, o Ministério das Relações Exteriores e o Instituto Cubano de Amizade com os Povos (ICAP) —, seus espiões estão em toda parte, porque os recursos provenientes do crime organizado de que dispõe o sistema nunca faltam para essas atividades.
 

Em Cuba se abasteceram e treinaram membros do grupo terrorista urbano dos Tupamaros uruguaios, que sequestraram e assassinaram inúmeras pessoas; também prestou assistência a facções terroristas de outros países, como Nicarágua e Venezuela, onde, depois de sequestrar o médico Julio Iribarren Borges, os terroristas das FALN o assassinaram — crime tornado público em Havana pelo próprio Fidel Castro.
 

Os vínculos com o terrorismo se fizeram presentes em todo o continente, inclusive nos Estados Unidos, mas, sem dúvida, os mais relevantes foram os mantidos com os grupos insurgentes colombianos, em particular com o M-19, do qual fazia parte o atual presidente da Colômbia, Gustavo Petro. Essa facção recebeu apoio político, treinamento militar e armas, em um respaldo tão público que a Colômbia rompeu relações diplomáticas com Cuba diante de tamanha afronta. Além disso, há evidências de que os líderes do M-19 mantinham comunicação com Fidel Castro e que este decidiu aceitar em Havana os guerrilheiros que buscaram asilo após tomarem a embaixada da República Dominicana na capital colombiana.
 

Os grupos supostamente insurgentes, fortemente associados com Cuba, derivaram com o tempo para a prática de sequestros. Foram muitos os sequestrados pelos insurrectos colombianos, tal como havia feito Raúl Castro em 1958, na Sierra Maestra, gestão à qual Fidel não era alheio, como tampouco o foi quando o presidente César Gaviria, em um gesto vergonhoso, pediu ajuda ao ditador cubano para conseguir a libertação de seu irmão Juan Carlos Gaviria, que havia sido sequestrado em 1996 por um grupo irregular na cidade de Pereira.
 

No entanto, um dos atos criminosos em que o totalitarismo foi mais bem-sucedido é o narcotráfico, tanto que há duas lendas urbanas difíceis de refutar. Dizem que Ernesto “Che” Guevara e Fidel Castro concordaram, na primavera de 1961, que a melhor maneira de destruir os Estados Unidos era tornando sua juventude dependente de drogas, e que o nefasto Departamento da América, dirigido pelo inefável Manuel Piñeiro, o “Barba Roja”, quando estava sem dinheiro, organizava diretamente redes para distribuir entorpecentes.
 

O caso Ochoa foi a ponta do iceberg do narcotráfico dentro do totalitarismo castrista — um crime múltiplo que pretendia ocultar a estreita relação do regime de Cuba com o tráfico de drogas —, como testemunhou em uma entrevista à Rádio Martí o condenado Carlos Lehder: “Fui convidado pelo governo comunista de Cuba, pela ditadura castrista, a Cuba, para estabelecer ali um conduto, uma linha, uma rota de tráfico de cocaína para os Estados Unidos.”
 

Um embaixador de Cuba na Colômbia, Fernando Ravelo, alto funcionário do Departamento da América, esteve envolvido no envio de lanchas desde a Colômbia carregadas com drogas para Cuba.
 

O totalitarismo dos irmãos Castro também tem dirigido cartéis de drogas, como atualmente faz com o Cartel dos Sóis de Nicolás Maduro. Simplesmente faltou aos governos dos Estados Unidos vontade para processar como criminosos Fidel e Raúl Castro, tal como está fazendo no presente o presidente Donald Trump.

As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente as do Miami Strategic Intelligence Institute (MSI²).