14 Aug Monómeros: Do Aviso à Confirmação
Por,
Jesús Romero, membro sênior, MSI²
O caso Monómeros prova que nosso alerta de novembro de 2024 não foi especulação, mas um diagnóstico preciso.
O que dissemos em novembro de 2024
No artigo publicado em 26 de novembro de 2024, no FinGuru, afirmamos:
“A venda da Monómeros foi impulsionada pelo regime de Nicolás Maduro, que busca se desfazer de ativos antes da posse do presidente Donald Trump nos Estados Unidos, em janeiro de 2025. O regime venezuelano estaria preocupado com uma possível intervenção do futuro governo Trump por meio de sanções que afetariam severamente a empresa.” (Romero & Acosta, 2024, p. 2)
Também alertamos:
“Os Estados Unidos participariam de qualquer negociação sobre o futuro desta empresa.” (Romero & Acosta, 2024, p. 5)
Nossa hipótese era clara na época: Maduro buscaria monetizar a Monómeros como parte de uma estratégia de sobrevivência econômica antes de um endurecimento das sanções americanas.
O que acontecerá em agosto de 2025
Nove meses depois, os eventos confirmam nossas previsões:
– 25 de julho de 2025: O Departamento do Tesouro dos EUA designou o Cartel de los Soles como uma organização Terrorista Global Especialmente Designada (SDGT), nomeando Nicolás Maduro como seu líder.
– O presidente colombiano, Gustavo Petro, apoiou publicamente Maduro após a designação e ameaçou o Procurador-Geral dos EUA responsável pela publicação.
– Durante a VII Reunião de Ministros de Energia da CELAC, Petro e Maduro:
• Assinaram um acordo de confidencialidade para a abertura dos registros financeiros da Monómeros.
• Concordaram com um roteiro para a venda da empresa para a Colômbia, com a Ecopetrol como compradora estatal.
• Deram início às medidas para obter uma licença especial da OFAC, um requisito legal devido às sanções existentes.
Desde 2017, a Monómeros opera sob sanções do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) do Departamento do Tesouro dos EUA, por ser considerada uma subsidiária da PEQUIVEN, parte da estrutura econômica do regime de Maduro. De acordo com a licença geral do OFAC, a empresa poderia continuar certas operações financeiras, mas essa autorização expira em junho de 2025, sem garantia de renovação sob a nova administração americana (Departamento do Tesouro dos EUA, 2019).

A Contradição de Petro
28 de julho de 2024 – Eleições na Venezuela
Após as eleições presidenciais, Gustavo Petro declarou que não reconheceria a vitória de Nicolás Maduro sem registros verificáveis:
“Nem a Colômbia nem o Brasil reconhecerão Maduro se ele não apresentar os registros eleitorais” (El País, 26 de setembro de 2024)
25 de julho de 2025 – Designação do SDGT
Após os EUA designarem Maduro como líder do Cartel de los Soles, a Petro apoiou publicamente o líder venezuelano e ameaçou o Procurador-Geral dos EUA, que autorizou a publicação da designação.
Conclusão: A Petro passou de condicionar a relação bilateral à legitimidade eleitoral em 2024 para fortalecer a cooperação política e econômica com um líder acusado de narcoterrorismo em 2025.
A Razão Estratégica por Trás da Venda de Monómeros
Embora apresentada publicamente como um acordo econômico para garantir fertilizantes para a Colômbia, a venda de Monómeros tem um contexto político e geoestratégico mais profundo:
1. Financiamento imediato para Maduro: Transformar um ativo sancionado em dinheiro ou benefícios econômicos logo após sua nomeação como líder do Cartel de los Soles.
2. Proteger o ativo nas mãos de um aliado: Ao transferir a propriedade para a Ecopetrol, uma empresa estatal em um país aliado dos EUA, o ativo poderia ficar menos exposto a sanções adicionais.
3. Consolidação do eixo Petro-Maduro: A venda no âmbito da CELAC fortalece uma aliança política que desafia abertamente Washington.
4. Desafio ao regime de sanções dos EUA: Se os EUA não bloquearem a operação, enviarão uma mensagem a outros governos de que é possível romper o isolamento financeiro de um líder sancionado por narcoterrorismo.
Nesse contexto, a venda não é um movimento isolado, mas uma peça-chave na estratégia de sobrevivência política e financeira do regime de Maduro, com o apoio direto do presidente Petro.
Washington deve bloquear esta venda
Esta venda não é um simples negócio agrícola: é um mecanismo de financiamento para um regime sancionado por narcoterrorismo.
Permitir a operação significaria:
– Fornecer liquidez a um ator designado como terrorista.
– Minar a credibilidade do regime de sanções dos EUA.
– Aceitar o alinhamento político de um governo aliado (Colômbia) com um regime criminalizado.
Nesse cenário, bloquear a venda é uma obrigação estratégica para Washington.
Deve também ser uma mensagem direta ao Presidente Gustavo Petro: Washington não tolerará que um país aliado facilite recursos a um líder designado como chefe de uma organização terrorista global.
Conclusão
Na MSI², defendemos que a análise prospectiva é fundamental para antecipar ameaças e movimentos estratégicos. O caso Monómeros prova que o nosso alerta de novembro de 2024 não foi especulação, mas sim um diagnóstico preciso.
Aviso Final
Se Washington permitir que esta venda prossiga, enviará a mensagem de que um aliado pode financiar um líder de cartel e terrorista global sem consequências. O caso Monómeros será lembrado não como uma transação comercial, mas como a ocasião em que os Estados Unidos permitiram que um governo amigo apoiasse um regime narcoterrorista no Hemisfério Ocidental.
Referências
Romero, J. D., e Acosta, W. (2024, 26 de novembro). Monómeros na Encruzilhada: A venda, um teste decisivo para o segundo governo Trump? FinGuru. https://fin.guru/es/politica-y-sociedad/monomers-at-the-crossroads-of-sales-a-litmus-test-for-trumps-second-administration-bscyfc48wa
Departamento do Tesouro dos EUA. (2019, 12 de abril). Regulamentações de sanções relacionadas à Venezuela: Adição da Monómeros Colombo Venezolanos S.A. Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros. https://home.treasury.gov/policy-issues/financial-sanctions/recent-actions/20190412
As opiniões expressas neste artigo são do autor e não refletem necessariamente as opiniões do Miami Strategic Intelligence Institute (MSI²).