Opinião: Causas Raiz de um Desastre
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Opinião: Causas Raiz de um Desastre

Por,

Prefácio necessário

Impulsionado pela derrota esmagadora que sofremos nas eleições para prefeito de Nova York, decidi expor, através de uma série de três artigos, a verdadeira face do comunismo em Cuba. Examinarei como, com apenas cinco por cento do voto popular, os comunistas conseguiram tomar a ilha e mantê-la no que parece ser um abraço de urso eterno. Minha análise baseia-se amplamente no indispensável “Soviet Cuba” de meu amigo César Reynel Aguilera, bem como em minhas próprias memórias de infância, crescido em um lar comunista. Ao abordar essa tarefa, esforcei-me para ser o mais meticuloso e implacável possível.


As Sementes da Catástrofe Cubana: Orgulho, Poder e o Nascimento de um Enclave Comunista

A atitude do Exército americano deve ter sido arrogante; o fato de Calixto García ter sido deixado de fora das negociações deve ter sido humilhante para as forças cubanas que buscavam a independência da Espanha após tantos anos de impasse. Duas gerações de patriotas, de Carlos Manuel de Céspedes a José Martí, haviam lutado contra a monarquia espanhola, quando não estavam ocupados “lutando” entre si. Mas encaremos isso de uma perspectiva realista: se os americanos não tivessem intervindo, Deus sabe por quanto tempo a guerra teria continuado. O orgulho derrotou o pragmatismo, e desde o primeiro dia, o antiamericanismo disfarçado de nacionalismo plantou as sementes de uma narrativa que mais tarde seria explorada por ideólogos muito mais perigosos.

Esse nacionalismo ferido, ferido, mas teimosamente autocentrado, tornou-se terreno fértil para um astuto vírus político. E como todos os vírus políticos, não se espalhou por meio de debate racional ou persuasão democrática, mas pela exploração de queixas, meias-verdades, mitos e ressentimentos.

O Mito do Anti-imperialismo e o Caminho para um Novo Império

A jovem república cubana nasceu com contradições embutidas em seus alicerces. Um profundo ressentimento em relação aos Estados Unidos foi alimentado por elites que detestavam a influência americana, mesmo enquanto dependiam dela para estabilidade e prosperidade. Esse ressentimento forneceu o material cultural bruto que a esquerda mais tarde refinaria em sua arma de propaganda mais poderosa: o anti-imperialismo.

No entanto, como a história demonstraria, esse anti-imperialismo nunca foi de princípios. Nunca esteve enraizado em um desejo genuíno de soberania. Foi oportunismo político mascarado de patriotismo, uma ferramenta para minar adversários internos e consolidar hegemonia cultural.

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E ironicamente (tragicamente) esse falso nacionalismo serviria como ponte levando Cuba não rumo à independência, mas aos braços de um novo império: a União Soviética. A ilha trocou um “imperialismo ianque” por dominação soviética, completa com assessores militares, dependência econômica e tutela ideológica. As mesmas pessoas que mais gritavam sobre a sombra de Washington acabaram ajoelhadas diante da bota de Moscou.

No início da década de 1920, um “insignificante” espião soviético nascido na Polônia, Fabio Grobart, chegou ao Porto de Havana com a típica aparência e comportamento dos comunistas: camisa de manga curta para fora da calça; óculos e cabelo perfeitamente cortados; sua “agenda” (caderno) em uma mão e algumas palavras de espanhol quebrado ao deixar o píer e barganhar com os proprietários das mais modestas pensões no cais. Poucos imaginavam que o nó final estava sendo tecido e que os soviéticos tinham fechado a última lacuna em sua intrincada rede de espiões neste hemisfério.

A lição para a direita moderna é clara:
Uma nação que permite que sua classe intelectual enquadre o patriotismo como ressentimento em vez de responsabilidade será eventualmente governada por aqueles que desprezam a própria nação.

Como Cinco Por Cento se Tornaram Poder Total

O movimento comunista em Cuba não foi um movimento popular. Não foi um levante massivo de trabalhadores. Não foi a vontade democrática do povo. De fato, até 1959, os comunistas cubanos obtinham em média cerca de cinco por cento dos votos nas eleições, quando se davam ao trabalho de concorrer.

Então, como eles conseguiram tomar o poder?

Dominando os mecanismos que todos os movimentos comunistas bem-sucedidos exploram:

1. Infiltraram instituições antes de tentar vencer eleições.
Sindicatos de professores, redações de jornais, círculos culturais e federações estudantis, esses se tornaram correias de transmissão ideológica muito antes de um único comunista ocupar um cargo no gabinete.

2. Posicionaram-se como a “vanguarda moral”.
Os comunistas aprenderam a envolver-se na linguagem da justiça e da anticorrupção, retratando todos os adversários como moralmente comprometidos. Essa estratégia retórica, ainda usada hoje, permitiu que uma ideologia minoritária dominasse a narrativa moral.

3. Sequestraram o discurso nacionalista.
Ao transformar antigos agravamentos históricos em armas, reformularam o marxismo como uma continuação da luta pela independência. Não importava que José Martí, o apóstolo da independência cubana, abominasse a tirania coletivista. A precisão histórica importava muito menos do que o impacto emocional.

4. Alinharam-se com um forasteiro carismático.
Fidel Castro não era comunista no início, mas era o recipiente perfeito: ambicioso, teatral, ressentido e, acima de tudo, obcecado pelo poder. Os comunistas reconheceram nele o que muitos na direita hoje ainda falham em ver, que o carisma sem princípio é o aliado natural da ideologia totalitária.

5. Esperaram. Pacientemente. Como todos os movimentos marxistas fazem.
Quando o momento de crise finalmente chegou, o colapso do regime de Batista, os comunistas eram a única facção organizada e disciplinada pronta para ocupar o vácuo.

Por Que Isso Importa Hoje

É tentador ver a tragédia cubana como algo exclusivamente cubano, produto da história caribenha, do temperamento latino ou da geopolítica da Guerra Fria. Mas essa interpretação, embora confortável, é perigosamente ingênua.

Os mecanismos pelos quais cinco por cento de ideólogos podem conquistar uma nação inteira permanecem muito vivos no mundo ocidental, incluindo os Estados Unidos. A estratégia de infiltração institucional, controle narrativo, censura cultural e uso de queixas históricas como arma continuam sendo o manual padrão da esquerda contemporânea.

Cuba não é um conto distante de advertência.
É um espelho, um que muitos americanos prefeririam não encarar.

Em meu próximo artigo, examinarei como os comunistas cubanos, seguindo as diretrizes de Moscou e usando um cliente às vezes desconfortável, imprevisível e sempre narcisista, implantaram metodologia soviética para se entrincheirar permanentemente no poder, e como essas táticas ecoam nas batalhas políticas ocidentais de hoje. Três visões equivocadas e enganosas podem surgir de uma leitura superficial de minha análise: que os soviéticos viam Cuba como sua joia da coroa; que Castro era apenas um fantoche; e a aparente contradição entre cinco por cento dos votos e a tomada de poder absoluto, nada mais longe da verdade. Cuba era apenas um elo na corrente; os soviéticos treinaram meticulosamente um “exército” de “quadros” que enviaram por todo o Hemisfério Ocidental, incluindo Canadá e Estados Unidos. Cuba talvez nem estivesse na lista de prioridades deles no início. Mas eles aproveitaram a chance nos primeiros sinais de fraqueza.

A relação entre Castro e seus mestres soviéticos era uma em que estes estalavam os dedos e aquele obedecia. Foi tortuosa, delicada, às vezes à beira da ruptura, mas ambos sabiam que o outro lado representava as melhores cartas na mesa.

Por fim, o leitor deve ter em mente que o sistema comunista não funciona com os mesmos padrões que nós. Palavras como “segredo” e “clandestino” são termos-chave em sua linguagem. Como descendente de uma família comunista com um patriarca clandestino, posso assegurar que houve centenas de milhares que consciente ou inconscientemente se tornaram colaboradores do “partido” em algum momento de suas vidas. Isso explica, em certa medida, o ataque massivo de amnésia sofrido pelo povo cubano, assim como está acontecendo nos Estados Unidos agora.

CONTINUA…

As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente as do Miami Strategic Intelligence Institute (MSI²).